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Urna eletrônica completa 30 anos: como o Brasil informatizou o voto em 1996

Publicado em 04/10/2026

Cadeado metálico sobre teclado de notebook

Em 3 de outubro de 1996, eleitores de 57 municípios brasileiros encontraram na cabine de votação um aparelho bege com teclado numérico e uma pequena tela. Era a estreia da urna eletrônica, usada naquele ano por mais de 32 milhões de pessoas, cerca de um terço do eleitorado. A marca de 30 anos, completada em 3 de outubro de 2026, é uma boa ocasião para relembrar como o país passou da cédula de papel para o voto digitado e o que mudou desde então.

Antes da urna: cédula, contagem manual e dias de apuração

Até meados dos anos 1990, votar significava marcar ou escrever numa cédula de papel, dobrá-la e depositá-la numa urna de lona. Depois vinha a apuração, feita à mão por juntas eleitorais em ginásios e salões, com cédulas abertas uma a uma. O processo levava dias, exigia milhares de pessoas e deixava espaço para erros de leitura, votos rasurados e contestações.

O primeiro grande passo de informatização veio antes da urna. Em 1986, a Justiça Eleitoral fez o recadastramento nacional de eleitores e passou a manter o cadastro em computador, com número único de título. Com o cadastro digital e a apuração parcialmente informatizada em eleições seguintes, a etapa que faltava era a própria coleta do voto.

Como a urna eletrônica foi desenvolvida

Em 1995, o Tribunal Superior Eleitoral reuniu uma comissão técnica com especialistas de instituições públicas de pesquisa, das Forças Armadas e da própria Justiça Eleitoral para definir como deveria ser a máquina de votar. Alguns requisitos orientaram o projeto:

Com o modelo definido, as primeiras dezenas de milhares de equipamentos foram fabricadas e distribuídas a tempo das eleições municipais de 1996, que atingiram as capitais e as cidades com mais de 200 mil eleitores.

A história da urna eletrônica depois da estreia

O resultado de 1996 levou a Justiça Eleitoral a ampliar o uso rapidamente. Em 1998 a urna já chegou a uma parcela maior do eleitorado e, nas eleições municipais de 2000, todo o país votou eletronicamente pela primeira vez. Desde então, o equipamento passou por diversos modelos, com mudanças em processador, tela, bateria e mecanismos de segurança.

Outras camadas foram sendo acrescentadas ao longo dos anos:

  1. Identificação biométrica. A partir de 2008, começou a coleta de digitais para que o próprio eleitor fosse reconhecido pela impressão digital no momento de votar.
  2. Testes públicos de segurança. O tribunal passou a abrir o sistema a investigadores externos, que tentam encontrar falhas antes das eleições.
  3. Divulgação dos boletins. Os boletins de urna passaram a ser publicados na internet, permitindo que qualquer pessoa confira a soma dos resultados seção por seção.
  4. Apuração em horas. A totalização informatizada fez com que o resultado de uma eleição nacional saísse na mesma noite da votação.

O que a urna mudou na rotina do eleitor

Para quem vota, a principal mudança foi a rapidez: digitar números e confirmar leva poucos segundos. O fim das cédulas escritas à mão também eliminou uma fonte comum de votos anulados por letra ilegível ou marcação fora do lugar.

A experiência brasileira transformou a urna eletrônica num dos exemplos de informatização mais conhecidos do setor público no país. Três décadas depois, o aparelho que estreou em 1996 continua sendo a parte mais visível de um sistema que envolve cadastro digital, biometria, transmissão de dados e auditorias.

O que você ainda pode perguntar

Em que ano a urna eletrônica foi usada pela primeira vez no Brasil?
Nas eleições municipais de 3 de outubro de 1996, em 57 municípios, incluindo as capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores. Cerca de um terço do eleitorado votou eletronicamente naquele ano.
Quando todo o país passou a votar na urna eletrônica?
Nas eleições municipais de 2000, quando a votação eletrônica chegou a todos os municípios brasileiros pela primeira vez.
A urna eletrônica fica conectada à internet durante a votação?
Não. A urna funciona de forma isolada, sem conexão com internet ou outras redes. Os dados são gravados em mídia própria e enviados para totalização só depois do encerramento da votação.